Casa das Irmãs Dominicanas, Fátima

09.07.2017

A Oração do Silêncio

15.05.2017

Por motivos profissionais, não acompanhei como queria, nem como considero que devia, a visita de Francisco a Fátima como peregrino. Mas daquilo que vi o que me pareceu mais impressionante foi a oração silenciosa de 8 minutos que foi acompanhada por todas as pessoas presentes, cessando os “Viva o Papa!” e os “Francisco! Francisco!” A televisão não aguentou este silêncio. Era preciso falar, encher o ar, trocar a respiração consciente pelo discurso incessante. A meditação que se abriu perante Maria, mãe de Jesus, porta do divino, aquela “dos olhos misericordiosos”, foi sobre esta necessidade de deixar o silêncio falar ou de falarmos entre nós em silêncio. Um silêncio destes, no contexto da espera de um discurso foi também o esvaziamento da presença do Papa, como se o mundo se tornasse verdadeiramente presente através da sua suspensão, da paragem do seu movimento que tantas vezes nos obriga a falar sem ouvirmos. No princípio era este silêncio espesso da palavra sem pio. E sem aceitarmos o confronto com esta origem na qual se inscreve tudo o que dizemos, não haverá a concórdia entre os povos de que Francisco falou depois, fazendo rimar o silêncio experimentado momentos antes com o branco manchado pela violência da humanidade dividida contra si própria: “Seremos, na alegria do Evangelho, a Igreja vestida de branco, da alvura branqueada no sangue do Cordeiro derramado ainda em todas as guerras que destroem o mundo em que vivemos.”

A Palavra da Cruz

15.04.2017


Église Louise Bourgeois.

A cruz ergue-se como encenação da injustiça. O inocente exibe a falta de todos. O que provocou a condenação do justo foi a sua justiça. O que causou o seu assassinato foi a sua vida exposta, nua de estratégias, desarmada. A sua palavra de verdade.

[...]

Não quero nada conhecer senão o Cristo crucificado. Aquilo a que Paulo chama a “palavra da cruz” (1 Co 1,18) evoca sobretudo o seu silêncio, o que se vê e se cala, a mensagem do que não fala, a verdade que escapa ao discurso. Que verdade é esta que se dirige aos olhos, como se lê já no oráculo de Isaías 52,13-53,12, cujo tema é a elevação por Deus dum “Servidor” anónimo condenado à morte e executado? O essencial do oráculo está saturado pela aparência. “O seu esmagamento foi para nós a cura”.

Só a cruz cura verdadeiramente porque só ela cura da morte. Cure-nos a árvore da cruz da irrisão, da frieza que gera a falta de compaixão, do amor de Deus sem o amor ao próximo. Se não era a serpente que curava mas apenas a sua imagem, também não é a cruz que é vista por nós, mas apenas a imagem da cruz, a imagem que traça em nós o Espírito a fim de que aqueles que odeiam, que se odeiam a si mesmos sem o saber, se curem. Hora das trevas sobre o mundo. Aquilo em que eles acreditam é na vitória sobre a morte, mas aquilo que os faz acreditar é a cruz, dizia Pascal. Cobre-nos a cruz com o seu silêncio de sangue. Cubra-nos também com o esplendor da manhã de Páscoa para recomeçar cada um o caminho da vida através da morte.

JOSÉ AUGUSTO MOURÃO, OP, Luz Desarmada

The Kingdom of God

12.04.2017

“He shall judge between the nations,
and set terms for many peoples.
They shall beat their swords into plowshares
and their spears into pruning hooks;
One nation shall not raise the sword against another,
nor shall they train for war again.”

Is 2:4

800 Anos de Ordem dos Pregadores

22.12.2018

A Produção do Comum

18.12.2016

Fazei silêncio e ouvireis o ruído das batalhas. Não há exterioridade possível a cultivar em tempo de combate. É preciso resistir, erguer a vida contra o poder sobre a vida. A tradição e o presente são aquilo que já não existe. O Museu não assegura a sobrevivência do que constantemente flui, se perde e se transforma. A fé não nos traz o repouso, mas a inquietude. Paz com Deus significa conflito com o mundo. A fé não acomoda, incomoda. Mantém-nos in statu viatoris. O dever das comunidades é de transportar “a responsabilidade da esperança” que está nela (1Pe 3,15). Temos de recusar ficar de fora e à margem: o devir cristão há-de fazer-se no interior dos campos e das formas da vida. Porque o que falta é a produção do comum. O que falta é acordar do sonanbulismo civil e religioso em que vivemos. O que falta é criar espaços de liberdade: fazer amizades, reflectir, rezar. O que é preciso é viver em estado permanente de paixão e fazer da vida a beleza, a procurar.

JOSÉ AUGUSTO MOURÃO, OP, Luz Desarmada

8 de Dezembro

07.12.2016

Calcorreando o Largo da Portagem a caminho de uma aula na Faculdade de Letras hoje de manhã, ouvi de passagem o que um velho homem disse: “Amanhã é dia santo. Amanhã é dia da Mãe.” Nada bate a teologia popular portuguesa, tão concisa, tão certeira.

Household Chore and Religious Singing

20.09.2016


Jackie Nickerson, Faith: “Washing Eucharist vessels” (2006).


Jackie Nickerson, Faith: “Choir” (2005).

All Dominican

20.10.2016

Thomas’s theological identity is all Dominican, even if by no means are all Dominicans recognizable from a common profile, theological or spiritual. Meister Eckhart, who shared a teacher with Thomas in Albert the Great, could hardly differ more from Thomas in spirit, in style, and in some important matters of theological substance. To say that Thomas Aquinas is “all Dominican” is therefore not to say that he is stereotypically Dominican. There is no Dominican theological stereotype, the Dominican rule being a positive encouragement to diversity, personal and theological.

DENYS TURNER, Thomas Aquinas: A Portrait

Conferências no Mosteiro de Santa Maria 2016-2017,
“Viver uma Mística de Olhos Abertos”

08.10.2016

Começam hoje as conferências no Mosteiro de Santa Maria para o ano entre 2016 e 2017. A casa das Monjas Dominicanas no Lumiar recebe estas palestras a partir das 15:30, seguidas de debate e eucaristia:

28.10.2016
José Tolentino Mendonça, “Rezar é abraçar a vida como ela é”

12.11.2016
Luís Miguel Cintra, “O desejo como arte e a arte como Fé? (com a ajuda da leitura da Ode de Camões, ‘Pode um desejo imenso’)”

10.12.2016
Alice Vieira, “Manual de instruções para a construção de um presépio”

14.01.2017
Mateus Peres, OP, “O quotidiano como lugar teológico”

11.02.2017
José Nunes, OP, “Em Deus, ‘os lugares do impossível se deslocam’ – Uma leitura de José Augusto Mourão”

08.04.2017
José Frazão, SJ, “Esta certeza de que somos filhos”

20.05.2017
Emília Leitão, “O desenho visível e invisível da vida”

03.06.2017
José Tolentino Mendonça, “O barro e o tesouro, parábola da história e do Reino”